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Natural de Medianeira, no oeste do Paraná, frequentei a escola pública. Durante parte do meu tempo, acompanhava meu pai em sua oficina mecânica, (Mecânica do Neguinho). Minha curiosidade despertou ao perceber a harmonia entre o ar e os combustíveis, onde uma sutil centelha orquestra processos químicos e termoquímicos, impulsionando-os como um maestro conduzindo uma sinfonia.
Incentivado por minha mãe, ingressei no curso de Tecnologia em Biocombustíveis na UFPR-Setor Palotina em 2009. Em 2010, iniciei a iniciação científica sob orientação da Prof. Dra. M. C. Milinsk e com a Prof. Dra. A. F. de Oliveira. Em 2013, participei de um intercâmbio na UNNE, Argentina, onde conheci o grupo LEMyP por meio da Prof. Dra. N. M. Peruchena e a Prof. Dra. M. F. Zalazar, que influenciaram meu interesse por sistemas zeolíticos. Ao longo desse caminho, pude vislumbrar o impacto das pesquisas teóricas em nível fundamental para processos catalíticos e entender o importante papel do grupo de pesquisa na formação de recursos humanos.
Encantado e motivado pela combinação de cálculos teóricos e análises experimentais sobre sistemas zeolíticos voltei ao Brasil finalizando minha graduação. Em 2014 iniciei o mestrado em Eng. em Energia na Agricultura, na UNIOESTE, sob orientação do Prof. Dr. C. A. Lindino e da Dra. M. F. Zalazar. Nesse período formalizamos importantes colaborações Brasil-Argentina, e com o grupo de pesquisa do Prof. Dr. P. R. S. Bittencourt e Prof. Dra. M. B. Costa (UTFPR-MD/LATECOM). Essas colaborações deram início a uma nova linha de pesquisa teórica volta para conversão de biomassa. Em 2015, vi uma palestra da Prof. Dra. S. Pergher em Bahia Blanca, Argentina, que me inspirou a buscar novos grupos de catálise. Em 2017 iniciei o doutorado em Eng. Química, na UEM sob orientação do Prof. Dr. P. A Arroyo e entrei na Sociedade Brasileira de Catálise, recebendo o Prêmio Arrhenius em sua primeira edição das mãos do saudoso Prof. Dr. V. T. da Silva (in memoriam).
Em meu doutorado pesquisamos a reatividade de diferentes tipos de zeólitas ácidas na esterificação de ácidos carboxílicos com objetivo de desbravar os mecanismos de reações em ambientes confinados. Assim, tive a oportunidade de viajar entre as poesias e trabalhos do prof. Dr. E. Falabella e Prof. Dr. C. J. A. Mota, indo para a luz síncotron (UVX, hoje Sirius) com Dra. C. Rodella, descobrindo a valorização de biomassa com o Prof. Dr. L. A. S do Nascimento, indo mais ao nordeste com as análises térmicas do grupo LACAM liderado pelo Prof. Dr. V. P. S. Caldeira e chegando ao LABPMOL com a Prof. Dra. S. Pergher, voltando ao sudeste nos incríveis debates do uso do BET com Prof. Dr. D. Cardoso, mergulhei na fascinante arte da espectroscopia IV com a Prof. Dra. H. O. Pastore na UNICAMP e com os argentinos Prof. Dr. S. Collins e a Prof. Dra. M. Bosco no INTEC, e por fim finalizei minhas trilhas da catálise no sul, onde conheci brilhantes pesquisadores.
Em 2022, iniciei meu pós-doutorado na UTFPR-MD/PTI em Medianeira, no grupo AGRILAB, sob supervisão do Prof. Dr. C. L. Bazzi. Em 2023, migrei para o grupo GRIMAF na UNILA, pesquisando novos materiais funcionalizados para produção e armazenamento de H2, sob a orientação da Prof. Dra. J. Padilha.
Fazer parte da família SBCat foi fundamental para superar várias barreiras de ativação, catalisar inúmeras amizades e colaborações, além de conquistar alguns prêmios. No entanto, dois aspectos se destacam com especiais significados: viver essa trajetória e catalisar o amor da minha vida.
Aos jovens pesquisadores, quero transmitir a mensagem de que não devem temer perseguir a felicidade, mas é essencial busca-la com estratégia, especialmente no desafiador caminho da catálise. Lembrem-se de que nunca estão sozinhos, e o Brasil oferece vastas oportunidades. Não hesitem em viajar, se necessário. Sejam autênticos em todas as circunstâncias, pois cada desafio traz consigo uma lição para catalisar o lado positivo da vida, vislumbrando sempre um futuro promissor.
Possui graduação em Química (2014), mestrado em Ciências Naturais (2017) pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e doutorado em Química (2022) pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Foi realizado o doutorado sanduiche pelo Institut de Chimie des Milieux et Matériaux de Poitiers (IC2MP), na França. Atualmente sou Bolsista de Pós-doutorado no laboratório de análises físico-químicas de águas, solo, sedimento, corrosão, biocombustíveis, resíduos sólidos e efluentes (LABPROBIO) da UFRN e no laboratório de catálise, ambiente e materiais (LACAM) da UERN, onde realizo pesquisa sobre o desenvolvimento de catalisadores micro e mesoporosos para produção de bioquerosene por hidroprocessamento. Tenho experiência na área de Química, com ênfase em Catálise, atuando principalmente nos seguintes temas: síntese e caracterização de sólidos nanoporosos com destaque em zeólitas, zeolite templated carbono (ZTC) e materiais mesoporosos; síntese de biocombustíveis; valorização do glicerol e conversão química de poliolefinas para obtenção de combustíveis.
Minha participação na Sociedade Brasileira de Catálise (SBCat) deu-se no ano de 2014, e desde então tem exercido um papel essencial na minha formação profissional e para o aprofundamento do meu conhecimento na área da catálise. Os eventos organizados pela SBCat proporcionam uma oportunidade ímpar de possibilidades de interação com diversos profissionais renomados e de notáveis contribuições neste ramo. Participar ativamente da SBCat e dos seus eventos tem sido crucial para o meu desenvolvimento profissional, proporcionando acesso a conhecimentos atualizados, ampliando minha rede de contatos com profissionais da área e oferecendo oportunidades de apresentação de trabalhos. Ressalto que essa experiência não apenas enriquece o meu currículo, mas também contribui para a disseminação do conhecimento e para o avanço contínuo da catálise, tanto no Brasil quanto internacionalmente.
Nascido e criado na península Itapagipana, em Salvador-BA, desde a infância, fui inspirado pelas histórias do meu pai, um aposentado da Petrobras, sobre os processos de extração e refino de petróleo na Bahia. Essa influência me levou a escolher sem hesitação o curso de Química na UFBA.
Ao entrar no Instituto de Química da UFBA, fui abençoado com professores incríveis que me incentivaram a mergulhar no mundo da pesquisa. No meu segundo semestre, tive a honra de ser o primeiro aluno de iniciação científica do Prof. Dr. Emerson Sales (IQ-UFBA). Com paciência e sabedoria, ele me guiou nos primeiros passos da catálise heterogênea. Mesmo com recursos limitados, fomos acolhidos pela equipe do Laboratório de Catálise (LABCAT-IQ-UFBA), onde começamos nossos estudos na síntese e caracterização de catalisadores de paládio. Sou eternamente grato à Profa. Dra. Heloysa Andrade (IQ-UFBA) por nos receber no LABCAT.
Um dos resultados dessas pesquisas me levou a apresentar um trabalho no 10º Congresso Brasileiro de Catálise (BA), onde tive a oportunidade de conhecer e aprender com renomados pesquisadores na área da catálise. Após esse congresso, me tornei membro da Sociedade Brasileira de Catálise (SBCAT).
Sempre fui fascinado pelo mundo nanométrico. Durante a graduação e o mestrado, estudei a interação de diferentes íons e complexos de paládio com a superfície de vários suportes (alumina, céria, óxidos de vanádio, zeólitas e silicatos), culminando com o desenvolvimento de catalisadores de paládio suportados em alumina para a hidrogenação seletiva de acetileno, que foi o tema da minha dissertação de mestrado.
No doutorado, no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química (PPEQ-UFBA), sob a orientação do Prof. Dr. Luiz Pontes (UFBA), um orientador e grande amigo, entrei para o grupo de Catálise e Meio Ambiente (CATAM-UFBA/UNIFACS). Nesse momento, comecei a estudar aditivos de catalisadores de FCC para dessulfurização de combustíveis. A partir desse estudo, que foi o tema da minha tese de doutorado, estabelecemos uma parceria de sucesso com a Fábrica Carioca de Catalisadores S.A. (FCCSA), graças ao Dr. Lam Yiu Lau, uma grande fonte de inspiração e aprendizado. Nesse projeto, desenvolvemos aditivos para catalisadores de FCC para a redução in situ de compostos sulfurados na faixa da gasolina.
No pós-doutorado, no Programa de Formação de Recursos Humanos (PRH 36, UFBA), estudei a síntese de catalisadores zeolíticos nanométricos suportados para a redução de compostos sulfurados na faixa da gasolina.
No CATAM, sou grato pela oportunidade de fazer parte de uma grande família científica. Junto com o Prof. Pontes, orientei alunos de iniciação científica, estágio curricular, mestrado e doutorado. Através de um trabalho árduo e consistente, conseguimos produzir resultados significativos, como artigos científicos em revistas de alto impacto internacional, prêmios de melhor trabalho em congressos regionais, nacionais e internacionais, e prêmios na área do empreendedorismo, como o Concurso Ideias Inovadoras (promovido pela FAPESB/SECTI (BA)) e o Prêmio Santander Empreendedorismo.
Atualmente, tenho trabalhado e estudado diversas reações de transformação de biomassa, com foco no desenvolvimento de catalisadores ativos que proporcionem alta seletividade a moléculas plataforma a partir de reagentes de menor valor agregado.
Agradeço o convite da Profa. Dra. Katia Gusmão e Profa. Dra. Sibele Pergher, em nome da SBCat, para compartilhar a minha trajetória. Sou eternamente grato ao meu pai e à minha mãe (in memoriam) por todos os ensinamentos e alegrias, e aos meus irmãos pelo conforto e amor nesta jornada. Rejane, minha esposa, amiga e companheira, que com sua paciência me ensina a viver cada momento. A pequena Sofia, minha filha, que me inspira e me faz feliz a cada sorriso! As conquistas são fruto de muita luta e perseverança, mas sem o apoio e estímulo da família e dos amigos, nada disso seria possível.
Iniciei minha trajetória na Catálise em 2010, durante a iniciação científica na área de reforma a vapor para produção de hidrogênio, na Universidade Estadual de Maringá. Ali descobri o que era pesquisa, técnicas de caracterização, discussão de resultados. Era incrível ver como as coisas faziam sentido, como os resultados conversavam entre si (de reação e caracterização). Naquela época, também decidi que iria continuar na Pós-Graduação, e em 2013, iniciei o Mestrado, também na área de Catálise, com a Prof. Nádia Regina, que foi um exemplo e inspiração para mim. Trabalhei durante 18 meses com seleção e caracterização de catalisadores, testando alguns suportes e métodos de síntese também para produção de H2. Após, iniciei o Doutorado e estudamos o mecanismo e ajuste de parâmetros cinéticos para um dos catalisadores anteriormente selecionado.
Logo em sequência, em 2017, comecei a trabalhar na Universidade Tecnológica Federal do Paraná, e continuei atuando na área de pesquisa em produção de hidrogênio, mas com outras matrizes. Desde então, temos trabalhado em cooperação técnica com empresas da região, buscando desenvolver a pesquisa com transferência da tecnologia.
No início do meu trabalho enquanto Professor/Pesquisador (e não mais como discente) percebi o quão difícil era montar uma estrutura de laboratório. Mas, aos poucos, com muitos ajustes e adaptações que todos nós da Catálise precisamos aprender, conseguimos montar uma estrutura que permitia, a priori, avaliar sistemas catalíticos mais simples. Porém, mesmo com tais obstáculos, acredito que meu objetivo principal ali foi atingido: cativar novos alunos e mostrar a importância do que ali fazíamos.
Assim como diversas áreas da pesquisa, enfrentamos tais dificuldades na Catálise, muitas vezes por falta de recursos que nos impossibilitam de aprofundar técnicas analíticas e análises sofisticadas, mas ainda assim persistimos. Apesar disso, a curiosidade em entender algo que acontece em um sistema catalítico, o qual de certa forma ajudamos a construir (seja através de uma síntese ou adaptação de um reator) nos motiva. Hoje, sendo Professor e orientador, percebo que aquele mesmo encanto que um dia surgiu no garoto de 20 anos, acontece com meus alunos.
Mais recentemente, tive a oportunidade de realizar um estágio de Pós-Doutorado no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, Sírius/CNPEM, e destaco a possibilidade de muitos pesquisadores e entusiastas também se aplicarem lá. Para nós da Catálise, estudar os fenômenos estruturais e de superfície que ocorrem durante as reações químicas é extremamente importante, e no LNLS a Catálise tem total possibilidade de estar inserida. Poder compartilhar a experiências e aprendizado deste período com meus orientandos, e novamente, motivá-los a investigar mais e mais as suas respectivas pesquisas, valerá a pena o esforço.
Também devo aqui destacar que acho incrível trabalhar na área de Catálise e estar inserido em diversos grupos de catalíticos em várias regiões do país. Participei dos eventos Regionais e Brasileiros de Catálise, e fiz amizades na qual colaboramos até hoje (e tudo indica que continuaremos). Os catalíticos são superanimados, empolgados e visionários, na minha opinião. Veêm oportunidade em todos os problemas que surgem!
Nessa trajetória, após 14 anos de trabalho na área, tive a oportunidade, através do convite de amigas também da área de Catálise, em atuar na Coordenação da Regional 3. Durante este período, tive uma visão melhor ainda sobre o que é estar neste grupo, e como as pessoas estão interessadas em apoiar uns aos outros. Isso é muito importante, novamente, devido às dificuldades que temos na área.
Somos importantes enquanto Catalíticos, pois desenvolvemos muitos processos que permitiram a sociedade evoluir, e continuamos contribuindo para a melhoria da qualidade de vida, meio ambiente e sustentabilidade. Desejo que nossas futuras gerações tenham a possibilidade de conhecer e continuar trabalhando nesta área!
Tenho a sorte de lembrar o momento em que a catálise capturou minha atenção pela primeira vez. Estava cursando Engenharia Química na Universidad Industrial de Santander – UIS (Colômbia), quando uma amiga veterana me explicou por que havia escolhido a disciplina optativa de catálise heterogênea. Seu argumento girava em torno das dificuldades da disciplina e da forte personalidade da Profa. Sonia Giraldo. Sempre senti profunda admiração pelas mulheres pesquisadoras em um mundo projetado para nós homens. A fascinação que desenvolvi pela catálise estava intimamente ligada ao meu ambiente imediato. Naquela época, a maioria dos meus amigos cursava medicina, e eu ficava encantado da habilidade que eles tinham em distinguir uma radiografia de uma tomografia. Isso me fez associar os catalisadores a pacientes que precisavam ser analisados (caracterizados). Uma perspectiva que ainda hoje me diverte.
A inquietude típica da juventude me levou a explorar outras alternativas. Fiz meu TCC em tecnologias para análise de qualidade do biodiesel e, após a graduação, trabalhei na indústria dos fertilizantes. Naqueles dias, parecia que meu espírito não cabia mais em meu corpo e meus sonhos estavam além da Colômbia. Eu queria estudar fora e descobri que o grupo Coimbra em parceria com a Organização dos Estados Americanos oferecia bolsas de pós-graduação para estudantes latino-americanos.
Em 2015 empacotei minha vida em uma mala e cheguei ao Brasil. Realizei meu mestrado na Universidade Estadual de Maringá - UEM, PR., sob a orientação da Profa. Nádia R. C. Fernandes, trabalhando na produção de biocombustíveis via craqueamento de óleos vegetais. O conceito de biorefinarias me resultava fascinante porque permitia o aproveitamento de tecnologias e processos atuais diante de uma iminente mudança energética. Conseguimos sintetizar zeólitas e correlacionar suas propriedades ácidas (alteradas pela razão Si/Al ou pelo cátion de compensação) com a formação de hidrocarbonetos similares à gasolina. Os desafios (pessoais e profissionais) dessa época foram enormes, mas proporcionais ao crescimento que causaram em mim.
Desde sempre, encarei a aprendizagem como uma reação química que, após um tempo, alcança o equilíbrio. Portanto, decidi perturbar o sistema, mudando-me para o Rio de Janeiro para cursar o doutorado no programa de Engenharia Química da COPPE/UFRJ, sob a orientação dos Profs. Fabio Toniolo e Carlos Chagas (hoje grandes amigos). Desenvolvi uma tese voltada ao estudo fundamental de catalisadores utilizados para o Acoplamento Oxidativo de Metano (OCM). Meu objetivo era compreender a estrutura real desses catalisadores durante a reação. No entanto, as elevadas temperaturas do OCM limitavam a caracterização. Acredito que o grande diferencial da minha tese foi formular as perguntas certas e escolher as técnicas adequadas. Sabia que precisava estabelecer parcerias além dos muros da UFRJ. Por isso, dirigi-me ao Laboratório Nacional de Luz Síncrotron – LNLS (Campinas, SP.) com o Dr. Santiago Figueroa para realizar XANES e ao Instituto de Catálisis y Petroleoquímica (Espanha) com o Prof. Miguel A. Bañares para realizar espectroscopia Raman em modo operando. Ambas experiências enriqueceram meu trabalho e ampliaram minha perspectiva na pesquisa.
Após defender minha tese em 2021, fui professor substituto na Escola de Química da UFRJ e, em 2022, tornei-me professor adjunto no Instituto de Química da Universidade Federal Fluminense – UFF (Niterói). Aqui, leciono (graduação e pós-graduação) e pesquiso no Laboratório de Reatores e Catálise – RECat sob coordenação do prof. Fabio B. Passos. Tenho interesse nas reações de Valorização do Metano, Craqueamento de Óleos Vegetais e Hidrogenação de CO2.
Sou grato por ter encontrado meu caminho no Brasil, por todas as experiências e oportunidades que tive, mas também reconheço que há um longo caminho a percorrer. Sinto-me profundamente motivado pela esperança de contribuir para a transformação social baseada na educação e na ciência.