Accessibility Tools

22 05 SBCAT Regional 2 quem somos Ludmila de Paula Noticia

Minha trajetória na catálise começou durante a graduação em Engenharia Química na UFRJ. Em 1991, tive meu primeiro contato com a pesquisa ao participar de um projeto de iniciação científica no Núcleo de Catálise (NUCAT), sob a supervisão do Professor Martin Schmal. Entrar naquele laboratório foi algo muito marcante para mim. Foi ali que tive meus primeiros contatos com técnicas de caracterização, testes catalíticos e com o ambiente da pesquisa científica. Mais do que isso, foi naquele momento que comecei a perceber que queria seguir a carreira acadêmica.Minha trajetória na catálise começou durante a graduação em Engenharia Química na UFRJ.

Em 1991, tive meu primeiro contato com a pesquisa ao participar de um projeto de iniciação científica no Núcleo de Catálise (NUCAT), sob a supervisão do Professor Martin Schmal. Entrar naquele laboratório foi algo muito marcante para mim. Foi ali que tive meus primeiros contatos com técnicas de caracterização, testes catalíticos e com o ambiente da pesquisa científica. Mais do que isso, foi naquele momento que comecei a perceber que queria seguir a carreira acadêmica.Em 1992, conheci o Professor José Luiz Fontes Monteiro ao cursar a disciplina “Cinética e Cálculo de Reatores”. Fiquei encantada pela disciplina e pela forma inspiradora com que ele falava sobre cinética e catálise.

Surgiu, então, a oportunidade de fazer iniciação científica sob sua orientação, trabalhando com zeólitas no NUCAT. Essa experiência foi fundamental para minha formação e para que eu compreendesse melhor a importância da catálise para o desenvolvimento tecnológico do país. Foi também nesse período que a catálise deixou de ser apenas um tema de estudo e passou a fazer parte da minha trajetória de vida. No mestrado e no doutorado na COPPE/UFRJ, continuei trabalhando com catalisadores a base de zeólitas. Foram anos de muito aprendizado e crescimento profissional, convivendo com pesquisadores, professores e colegas que marcaram profundamente minha formação científica e pessoal.Em 2000, iniciei minha atuação como pesquisadora no Instituto Nacional de Tecnologia (INT), a convite do Dr. Fabio Bellot Noronha. Foi uma fase muito importante da minha carreira, na qual atuei em projetos sobre conversão de gás natural e bioetanol em hidrogênio para aplicação em células a combustível. O INT teve papel fundamental na minha consolidação como pesquisadora, pela experiência técnica e pelas parcerias e amizades construídas naquele período.

Foi também no INT que conheci minha grande amiga e parceira de trabalho Rita de Cássia Colman Simões, com quem compartilho, até hoje, muitos projetos, desafios e conquistas.Desde meu ingresso na Universidade Federal Fluminense, em 2009, venho desenvolvendo atividades de ensino, pesquisa, orientação e gestão acadêmica ligadas à catálise, energia e sustentabilidade. Na UFF, tive também a oportunidade de conviver com os Professores Fernando Mainier e Fabio Passos, grandes parceiros nas pesquisas e importantes incentivadores do meu trabalho na pós-graduação.Em 2012, juntamente com os professores Rita Colman, Luciane Monteiro e Fernando Mainier, criamos o Laboratório de Energia, Materiais e Meio Ambiente, do qual atualmente sou coordenadora, voltado à formação de recursos humanos e ao desenvolvimento de pesquisas relacionadas aos desafios energéticos e ambientais em parceria com outras instituições e empresas.Atualmente, minhas linhas de pesquisa envolvem o desenvolvimento de catalisadores para produção de hidrogênio de baixo carbono, membranas para separação de CO2, processos catalíticos para conversão de CO2 em produtos de maior valor agregado e, mais recentemente, materiais fotocatalíticos aplicados à produção de hidrogênio e à transformação de compostos aromáticos derivados de biomassa.Ao longo de toda essa trajetória, a Sociedade Brasileira de Catálise esteve presente de forma muito especial.

Foi nos congressos da SBCat que apresentei alguns dos meus primeiros trabalhos científicos, fiz minhas primeiras apresentações orais, conheci pesquisadores que admirava e construí muitas colaborações e amizades. Entre 2011 e 2015, tive também a honra de atuar como vice-supervisora da Regional 2 da SBCat, experiência que reforçou ainda mais meu vínculo com a comunidade de catálise no Brasil.Hoje, olhando para essa caminhada, percebo que a catálise não definiu apenas minha área de atuação. Ela definiu grande parte da minha trajetória profissional e me proporcionou experiências, oportunidades e encontros que marcaram profundamente minha vida acadêmica e pessoal.

22 05 SBCAT Regional 2 quem somos Ludmila de Paula Noticia

Meu interesse pela química surgiu ainda na infância, quando me encantava com o jogo Pequeno Químico e também observava as cores extraídas a partir de flores, folhas e das plantas. A curiosidade em compreender aquelas transformações despertou meu fascínio pela chamada “química do cotidiano”. O que começou como uma brincadeira infantil tornou-se uma inquietação permanente e acabou definindo minha trajetória profissional.

Formei-me em Engenharia Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde guardo boas lembranças, especialmente das aulas dos professores Vicente Gentil, Eloisa Mano e Giulio Massarani. Além de transmitirem conhecimentos técnicos, eles despertaram em mim a admiração pela capacidade de tornar compreensíveis e acessíveis temas complexos da química e da engenharia química. A forma como articulavam teoria e prática marcou minha formação.
Após a graduação, realizei o mestrado em Engenharia Química na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), sob orientação do Prof. Dr. Theo Guenter Kieckbusch, trabalhando com extratos vegetais aplicados à remoção de colesterol da gordura da manteiga.

A utilização de compostos naturais nesse processo despertou ainda mais meu interesse pelo potencial das plantas como fonte de soluções tecnológicas sustentáveis, tema que continua presente em minha trajetória científica.
Na Escola Técnica ECOMPO, em São José dos Campos, atuei como docente das disciplinas de química teórica e experimental para profissionais da indústria. A convivência com alunos trabalhadores despertou meu interesse pela educação e me levou a realizar a complementação pedagógica na Universidade Candido Mendes (UCAM). Nesse período, as leituras de Rubem Alves influenciaram profundamente minha visão sobre o ensino, reforçando a importância da troca de conhecimentos entre professores e alunos.

Meu retorno à pesquisa acadêmica ocorreu por incentivo da professora Wilma Gonzalez e do professor Luiz Borges, do Instituto Militar de Engenharia (IME), que me deram a oportunidade de ingressar no doutorado em Química. A parte experimental da pesquisa foi desenvolvida no Instituto Nacional de Tecnologia (INT), sob orientação do pesquisador Dr Fabio Bellot, com quem participei de diversos trabalhos relacionados à produção de hidrogênio e à catálise. A ele agradeço pelo incentivo constante e pela contribuição para o fortalecimento dos meus conhecimentos na área de catálise.

Durante o doutorado, concentrei minhas pesquisas no desenvolvimento e na caracterização de novos materiais catalíticos, aprofundando meus conhecimentos em técnicas de microscopia eletrônica de varredura e transmissão. Iniciei minha atuação nessa área em uma época em que a obtenção de imagens ainda era realizada por meio de filmes fotográficos e negativos, acompanhando posteriormente a evolução dos equipamentos e a adoção das câmeras digitais que hoje fazem parte da rotina dos laboratórios. Nessa etapa, agradeço ao professor André Luiz Pinto (IME/CBPF) e à professora Sonia Vasconcelos então microscopista do NUCAT/UFRJ e atualmente docente da UFRJ, pelos ensinamentos e pela contribuição fundamental para minha formação científica.

Ao longo da carreira, atuei no Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), onde desenvolvi pesquisas com materiais à base de carbono, especialmente grafeno, sob supervisão do Dr. Bráulio Arcanjo. Nesse período, coordenei um projeto do Programa Prometro que reuniu alunos de Iniciação Científica (PIBIC) do curso de Nanotecnologia da UFRJ, Campus Xerém, além da colaboração de mestres e pesquisadores. Essa experiência reforçou meu interesse por materiais nanométricos à base de carbono e pela construção coletiva do conhecimento científico.
Posteriormente, realizei estágio de pós-doutorado na COPPE/UFRJ, sob supervisão do professor Victor Teixeira, ampliando minha atuação em catálise, geração de hidrogênio e nanomateriais carbonáceos.
De volta ao Instituto Nacional de Tecnologia (INT), expandi minhas pesquisas para áreas como fotocatálise e valorização de biomassa, trabalhando com os pesquisadores Dr. Alexandre Gaspar e Dr. Paulo Gustavo Pries.

Também participei do programa Futuras Cientistas (CETENE), sob supervisão da Dra. Andréa Farias, contribuindo para despertar o interesse de estudantes do ensino médio pela ciência, pela sustentabilidade e pela microscopia eletrônica. Paralelamente, atuei na orientação de estudantes de iniciação científica (PIBIC/CNPq) em projetos relacionados à síntese de fotocatalisadores contendo nanocompósitos de grafeno e nitretos de carbono, bem como ao aproveitamento de resíduos de biomassa para a produção de carvão ativado e grafeno.
Atualmente, participo do Programa Doutor Empreendedor da FAPERJ, estando vinculada ao EMPREENDE/INT, onde desenvolvo tecnologias voltadas à valorização de resíduos de biomassa e à produção de materiais sustentáveis para aplicações ambientais, em colaboração com o LACAT/INT. Nesse contexto, está sendo estruturada uma Startup para promover a transferência das tecnologias desenvolvidas para o mercado. Minha trajetória tem sido guiada pela busca de soluções que integrem ciência, inovação e sustentabilidade, transformando conhecimento científico em benefícios concretos para a sociedade.
Sou grata aos familiares, professores, orientadores, colaboradores e alunos que contribuíram para essa caminhada e para a construção da pessoa e da profissional que sou hoje.

22 05 SBCAT Regional 2 quem somos Ludmila de Paula Noticia

No meu Ensino Médio (antigo Segundo Grau), no Colégio Estadual Alberto Conte, em São Paulo, o professor de Química foi o principal incentivador da minha escolha pela ciência química. Ele era um grande entusiasta da disciplina e encontrava diferentes maneiras de nos conduzir a esse universo. Para mim, isso se tornou especialmente marcante em um trabalho de niquelação e cromagem. Aos 16 anos, sem as facilidades de busca que existem hoje, eu e meu grupo buscamos orientação técnica no SENAI, onde fomos recebidas com atenção e apoio dos professores. A experiência deu certo, e esse contato prático com a Química foi decisivo: ali começou a se consolidar a certeza de que eu queria seguir carreira na área.

Ingressei no curso de Química no Instituto de Química de São Carlos (USP), onde iniciei minha trajetória em pesquisa com bolsas de Iniciação Científica do CNPq. Ainda na graduação, atuei inicialmente em eletroquímica e, depois, em um projeto de conversão de combustíveis alternativos, trabalhando com bagaço de cana visando a obtenção de insumos, uma experiência que fortaleceu meu interesse por processos e aplicações. Meu mestrado também foi no IQSC-USP.

Em 1996, iniciei o doutorado no Departamento de Química da UFMG, integrando o grupo da Profa. Elena Goussevskaia, onde passei a atuar em catálise organometálica e na funcionalização oxidativa de substratos de origem renovável. Aqui declaro toda a minha admiração pela professora Elena e também à grande oportunidade de ter crescido como cientista durante o meu doutorado e de ter feito amizades para a vida toda dentro do Laboratório de Catálise Organometálica da UFMG.

Lembro perfeitamente do meu 1º Congresso Brasileiro de Catálise, que foi em Bento Gonçalves, em 2001. Fiquei encantada com o congresso; as palestras mostravam o desenho do futuro tecnológico em Catálise, tanto no Brasil como no mundo. Desde então, tenho participado de todos, com a mesma curiosidade e alegria do primeiro e com a motivação de encontrar os amigos feitos ao longo dos anos.

Atualmente, sou professora associada na UFMG e tenho experiência nas áreas de catálise heterogênea e de materiais cerâmicos dopados com metais de transição, com atuação em temas como: transformação catalítica de terpenos, transformação de derivados da biomassa, processos sol-gel, óxidos metálicos e materiais mesoporosos estruturalmente ordenados. Lidero o Laboratório de Catálise e Tecnologias – CatTec da UFMG, no qual formamos doutores, mestrandos e alunos de graduação através dos seus TCCs.

Ao longo de toda a minha trajetória profissional, busquei consolidar uma atuação com interface entre ciência e inovação, participando de diferentes programas de aceleração e iniciativas ligadas ao empreendedorismo tecnológico. Sou cofundadora de uma startup e recebi prêmios nacionais e internacionais de empreendedorismo e inovação, incluindo 1º lugar na competição I2P Latin America e o Prêmio Santander Universidades (empreendedorismo). Também realizei formação em empreendedorismo na Babson College (EUA). Possuo patentes depositadas e concedidas junto ao INPI e já recebi aportes para desenvolvimento tecnológico por meio de programas como Sebrae (Sebraetec, PII-Sebrae), PRIME/FINEP (Programa Primeiras Empresas) e PAPPE/Fapemig.

Atualmente, trabalho no avanço tecnológico de processos catalíticos voltados às indústrias farmacêutica e de química fina, incluindo a execução de uma planta pré-piloto com aporte financeiro de órgãos de fomento e em aliança com empresa do setor. Também desenvolvo processos catalíticos visando a obtenção de bio-hidrocarbonetos com foco em SAF. Integro o quadro de orientadores permanentes dos Programas de Pós-Graduação em Química (UFMG) e em Inovação Tecnológica (PPGIT-UFMG), além de orientar no Programa de Formação de Recursos Humanos da ANP (PRH-ANP).

Agradeço a todos os meus parceiros científicos, com os quais pude trocar grandes experiências que se tornaram artigos e/ou patentes. Toda a minha gratidão eu dedico a todos os alunos que tive o privilégio de orientar; com certeza, mais aprendi com eles do que ensinei. E, claro, sem as agências de fomento CNPq, CAPES, Fapemig e Finep, não teria sido possível avançar nas pesquisas com qualidade.

22 05 SBCAT Regional 2 quem somos Ludmila de Paula NoticiaSou natural de Vitória (ES), cidade onde realizei toda a minha formação até a graduação em Química pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo. No Ifes, ocorreu meu primeiro contato com a pesquisa por meio da iniciação científica, sob a orientação do professor Mauro Cesar Dias. Nesse período, tive a oportunidade de me familiarizar com técnicas e análises que não faziam parte da rotina das aulas de graduação. A experiência na iniciação científica despertou meu interesse pela pesquisa e me motivou a ingressar no mestrado.

A possibilidade de obter uma bolsa de mestrado foi determinante para que eu buscasse oportunidades em outro estado, garantindo suporte financeiro durante o curso. Agradeço aos meus pais pelo apoio para continuar minha formação, especialmente à minha mãe, Rita (in memoriam), que sempre se empenhou para que minha experiência longe de casa fosse a mais tranquila possível, permitindo que eu me dedicasse integralmente à pesquisa.

Iniciei, então, o mestrado na Universidade Federal Fluminense (UFF), sob a orientação do professor Fabio Barboza Passos, que se tornou uma grande referência profissional e pessoal. Sou muito grata pelas oportunidades, pelo incentivo e pela compreensão ao longo de todos esses anos. No início do mestrado, eu possuía apenas conhecimentos muito básicos em catálise, adquiridos durante uma disciplina optativa cursada na graduação. Escolhi desenvolver minha pesquisa nessa área por seu caráter interdisciplinar e pelo potencial de ampliar minha formação de maneira mais abrangente.

A pesquisa desenvolvida foi um estudo paralelo a um projeto já em andamento, executado em parceria com o Cenpes, que visava ao desenvolvimento de catalisadores mais resistentes à contaminação por enxofre para a reação de deslocamento gás-água. Foi um período de grande crescimento científico e pessoal, principalmente pela dinâmica e infraestrutura do RECAT. Por se tratar de um laboratório no qual os próprios pesquisadores realizam as análises, tive a oportunidade de operar diversos equipamentos de caracterização de materiais. As pessoas com quem convivi no laboratório também foram bastante importantes para minha evolução; todos os professores e alunos foram sempre solícitos.

Os resultados alcançados com a pesquisa foram promissores e culminaram na publicação de nossa primeira patente, em colaboração entre UFF e Petrobras. Diante desses resultados, optamos por dar continuidade à linha de pesquisa no doutorado, investigando novos materiais para a mesma reação. Este estudo se mantém relevante e continua sendo desenvolvido durante o pós-doutorado, graças ao apoio financeiro que tivemos ao longo do tempo da Petrobras, do CNPq (PDJ) e da Faperj (PDS).

Mesmo com tantos anos dedicada à mesma temática, tive a oportunidade de atuar em diferentes frentes ligadas à catálise e ao desenvolvimento de materiais, por meio de colaborações com diversos pesquisadores. Pude participar de estudos em outras linhas do grupo, em distintos laboratórios da própria UFF e de outras instituições.

Um dos eventos em comemoração aos 20 anos da SBCat incluiu uma premiação especial para o melhor pôster no 19º CBCAt (2017), realizada em parceria com a Royal Society of Chemistry, na qual tive a felicidade de ser selecionada. Também fui convidada para a cerimônia do Prêmio Inventor Petrobras 2025, em função do depósito de uma nova patente. Em 2026, recebi o prêmio “Mulheres na Ciência”, concedido às pesquisadoras do Programa de Pós-Graduação em Química da UFF, com base em critérios de produtividade e representatividade.

A catálise me concedeu a possibilidade de uma carreira (além de muitos amigos). Gostaria muito de ter a oportunidade de continuar trilhando esse caminho, não apenas pelo constante aprendizado que a área oferece, mas também pelo desejo de retribuir à sociedade e à comunidade científica tudo o que desenvolvi durante minha formação como pesquisadora.

15 05 SBCAT Regional 2 quem somos Rita de Cássia NoticiaEu nasci e cresci em Maringá, no Paraná, filha de uma professora e de um pai que partiu cedo demais. Foi minha mãe Maria Isabel quem, com determinação e poucos recursos, garantiu a mim e aos meus irmãos uma educação de qualidade; e foi esse presente que moldou tudo o que vim a ser. Ao ingressar no curso de Engenharia Química da Universidade Estadual de Maringá (UEM), em 1996, eu ainda não sabia ao certo qual caminho profissional seguiria. A resposta veio de forma inesperada e definitiva em 1998, durante uma palestra do professor Eduardo Falabella Sousa-Aguiar, que visitava a UEM. Naquele dia, pela primeira vez vi a catálise ser apresentada como uma arte — e fiquei completamente encantada.

A partir dali, busquei a professora Nádia Regina Camargo Fernandes Machado, que se tornou minha orientadora de iniciação científica e, mais do que isso, uma referência de atuação na docência. Foi ela quem me preparou para enfrentar a seleção do PEQ/COPPE, onde eu sonhava em estudar com o professor Martin Schmal, que havia sido seu orientador. Esse sonho se realizou. Ao longo de sete anos no NUCAT, realizei meu mestrado e doutorado sob a orientação do professor Schmal e da Maria Auxiliadora Baldanza (a Dora), em um ambiente de rigor científico e amizades que carrego até hoje. O reencontro com eles no ERCAT 2025 aqui na UFF foi um momento muito especial para mim.

Após o doutorado, um pós-doutorado com a Dra. Lúcia Gorenstin Appel no Instituto Nacional de Tecnologia (INT) aprofundou minha formação e me ensinou que a excelência não admite meios-termos. Foi também no INT que conheci alguém que se tornaria muito mais do que uma colega de trabalho: a professora Lisiane Veiga Mattos. Ingressamos juntas no Departamento de Engenharia Química e de Petróleo da UFF em 2009 e, desde então, construímos uma grande amizade, que vai muito além dos projetos e publicações.

Em 2012, fundamos juntas o LEMMA (Laboratório de Energia, Materiais e Meio Ambiente), um espaço que se tornou o coração da minha atuação em pesquisa na UFF. No LEMMA, tive a oportunidade de orientar diversos alunos e desenvolver projetos em colaboração com instituições, empresas e grandes profissionais da área de catálise, com quem aprendi e continuo aprendendo muito. Ao longo desses anos, as frentes de pesquisa se diversificaram. Hoje atuo em temas como oxidação catalítica de compostos orgânicos voláteis, produção de grafenos, fotodegradação de microplásticos e síntese de zeólitas a partir de cinzas agroindustriais. São temas distintos, mas unidos por uma mesma convicção: a de que a ciência aplicada com rigor e criatividade pode contribuir concretamente para os desafios energéticos e ambientais do nosso tempo.

Olhando para trás, percebo que a catálise não apenas definiu meu campo de atuação científica: ela foi o fio condutor que me ligou orientadores extraordinários, amigos inesquecíveis e uma carreira construída com propósito. Da palestra que me encantou em Maringá ao laboratório que ajudei a criar na UFF, cada etapa foi possível porque pessoas generosas acreditaram em mim e porque eu aprendi, desde cedo, que a ciência é, acima de tudo, uma construção coletiva.

Topo